ago 10, 2015
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Com o SISU, menos alunos de baixa renda estão entrando na UFMG

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Desde o ano passado, a Universidade Federal de Minas, a UFMG, extinguiu os vestibulares e adotou, como único modo de entrada, o SISU.

Se, por um lado, o sistema favorece que estudantes possam concorrer a vagas longe de suas cidades e estados, por outro, foi responsável pela queda no número de alunos com renda familiar menor que 5 salários mínimos matriculados na instituição. De 2011 a 2013, por exemplo, os estudantes com renda familiar mensal maior que cinco salários mínimos foram, em média, 51,3% dos aprovados, e  48,6% dos candidatos de menor renda.  Já, no ano passado, o primeiro em que a instituição utilizou apenas o SISU em suas entradas, a diferença aumentou ainda mais: 57,5% alunos de maior renda e  42,3% de menor renda, como admite o pró-reitor de Graduação, Ricardo Takahashi:

“Recebemos alunos com faixa de renda maior do que a que existia na UFMG, e isso nos preocupa”, reconheceu. “Uma das metas da universidade é justamente funcionar como instrumento de inclusão social, de mobilidade de classes. Com a mudança, estamos cumprindo em menor medida esse objetivo, que vinha sendo alcançado antes”

Reserva de vagas

A lei de cotas aprovada em 2012, que entrou em vigor em 2013, instituiu que pelo menos 12,5% das vagas das instituições de ensino superior federais, passando a 25% em 2014 e chegando a 50% até 2016, sejam reservadas para alunos cotistas. Das vagas reservadas, 50% devem ser destinadas a alunos vindos do ensino público com renda familiar menor que um salário e meio per capita, e o restante, para alunos do ensino público com renda maior. As cotas também levam em conta, em ambos os casos, o número de negros, pardos e indígenas de cada estado, apurado através do último censo demográfico do IBGE.

“Esperamos que, quando ampliarmos a reserva de vagas para os alunos de escola pública e de baixa renda, possamos retomar os índices socioeconômicos antes registrados na UFMG”, diz Takahashi.

Controvérsia

Também há quem acredite que a aparente elitização da UFMG esconda em si uma virtude a instituição: atrair, entre seus matriculados, os que tem melhores notas no ENEM, por ser uma universidade de excelência. É o que defende o Professor Luciano Mendes de Faria Filho no Boletim UFMG:

“Em primeiro lugar, há de se levar em conta que esse movimento era perfeitamente previsível: em se tratando de um sistema universitário diferenciado e desigual, em qualidade e prestígio, como é o nosso, parecia óbvio, desde o início, que os candidatos com as melhores notas escolheriam, sempre que possível, as mais prestigiadas universidades. Alguém esperaria o contrário? Em segundo lugar, também já havíamos alertado, há tempos, que a adesão da universidade ao Sisu, sem que fossem criadas condições para a recepção de alunos mais pobres, como a construção de moradias e a ampliação do sistema de assistência estudantil, resultaria, na prática, em impedimento para que alunos vindos de outros municípios de Minas e de outros estados, mesmo com boas notas no Enem, escolhessem estudar na UFMG. Para eles, a qualidade e o prestígio não seriam suficientes para assegurar sua decisão de optar pela UFMG, diante das dificuldades de manutenção em Belo Horizonte.”

Ainda segundo Luciano Mendes, as raízes da elitização do ensino superior como um todo, e não apenas na UFMG, estão na diferença da qualidade entre as escolas públicas e particulares do ensino básico, e há que se ter cuidado para que a tentativa de acolher mais alunos de menor renda acabe por afastar a instituição do SISU, ao invés de ajudar a aprimorar o processo de seleção.

Fonte: Jornalismo Colaborativo, Blog do Quero Bolsa

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