out 29, 2016
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Daniel Piza comenta sobre o escritor mais prolífico do mundo

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José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue chegou a escrever 45 livros num mês. É capaz de escrever 150 páginas num dia. Sua média diária, hoje, é de cem páginas.

Em sua casa na praia de Piúma (ES), trabalha em dois ou três livros ao mesmo tempo; quando um está na hora de ser lançado, dedica um dia ou dois exclusivamente para terminá-lo.

Nesse ritmo chegou ao recorde de 1.000 livros publicados que o fez constar do “Guinness”. Escrevia faroestes e policiais (estes, sua preferência) sob 40 pseudônimos.

Na altura do 400º livro, conta à Folha, cansou. Tentou mudar de editora, queria escrever livros com seu próprio nome. Mas não conseguiu alternativa. Voltou a fazer “pulp” como quem produz salsicha. No milésimo, pediu arrego.

O milésimo livro foi “E Agora, Presidente?”, lançado em 1992. Era a passagem de Inoue para livros com mais páginas e mais fôlego literário. Se fizesse sucesso, Inoue abandonaria a ficção barata.
Fez. A história, inspirada nos escândalos de corrupção que tomavam conta do noticiário do país na época, vendeu 15 mil exemplares.

Desde então, foram mais 34 livros. Na maioria, eram thrillers policiais com pitadas de política e erotismo -portanto, de clara ascendência “pulp”. Mas mais caprichados na contundência do tema e no intrincar da trama.

Ganhando mais dinheiro (quanto, não revela), Inoue lança agora “Herança Maldita”, que gira em torno da umbanda, e em maio uma série (da editora Hemus) baseada no tarô. “Dar informações ao leitor é a alma do negócio”, diz.

É leitor e admirador, no Brasil, de Fernando Sabino (autor de “O Encontro Marcado”). Elogia a fluência do texto de Sabino. “Ele torna o corriqueiro interessante.”

Mas atualmente lê os best sellers americanos: Ken Follett, Frederick Forsyth, Sidney Sheldon, Harold Robbins e, em especial, Jack Higgins. São seu modelo.

No seu estilo antigo, o “pulp”, elogia um brasileiro: Júlio Emílio Braz. “Esse sabe construir uma história, dar nexo a ela”, afirma.

Inoue decidiu também recentemente incorporar mais um gênero ao currículo: roteiros de cinema. Fez o de “Mama Rádio”, filme que o produtor Renato Bulcão roda a partir de maio.

“Os filmes me estimulam”, diz Inoue, que escreveu texto sobre “Tempo de Violência” especialmente para a Folha (leia ao lado).

Hoje Inoue se dá ao luxo de escrever um livro em 15 dias.


Publicado na Folha Ilustrada, por Daniel Piza em 7 de abril de 1995

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