set 6, 2014
198 Visualizações
0 0

Ideias e Violência

Publicado por

Não se pode esquecer que processos violentos se encontram presentes no mundo social e nas relações sociais em toda história humana. Giddens afirma, em seu estudo sobre Modernidade e Identidade (2002, p. 88), que “as relações pessoais, quaisquer que sejam a duração que tenham, geram tanto tensão quanto recompensas”. Reconhece-se, aqui, que toda e qualquer relação social e pessoal é movida e está repleta de e pelo conflito.

Neste momento, entretanto, a violência em todos os seus matizes tem sido constante no cotidiano de nossas vidas. Em qualquer de suas formas ela aumenta e banaliza cada vez mais a vida humana. Têm sido organizadas várias estratégias e táticas para diminuí-la, sem que resultados positivos sejam percebidos pela população.

O comportamento violento tem sido resistente às diferentes perspectivas teóricas, políticas e legais. O estruturalismo e o determinismo econômico não têm sido suficientes para dar conta da violência e muito menos das condutas geradas por ela, como o medo, o pavor. Os sinais e as manifestações sintomáticas do medo não bastam para explicar a violência e sua reprodução contínua.

A indústria e a cultura do medo continuam gerando um conjunto de cidadãos jovens com medo e os milhões de reais colocados para o combate a violência, apenas deslocam o comportamento violento de um lado para o outro.

O Estado não tem dado conta de ressocializar a população carcerária. As prisões têm sido um bom sistema para a educação continuada e aperfeiçoada do comportamento violento. A construção de novos espaços carcerários reproduz o sistema vigente. Os funcionários não são treinados, mal remunerados, não conseguem motivos para com o seu trabalho e não se comprometem, caindo muitas vezes nas mãos dos líderes apenados.

Não há como ressocializar sem uma política pública e um trabalho realizado por uma equipe multiprofissional. O processo da violência contém dimensões externas, mas as internas devem ser consideradas. A subjetividade do comportamento violento deve estar na análise e na compreensão das condutas humanas.

O mais triste é que os atores sociais deste processo violento são os jovens e crianças, pela vulnerabilidade da exposição em que se encontram e, principalmente, pela fragmentação do tecido social. As conseqüências são a fragilização das relações cidadãs e a expansão do sofrimento emocional e social como parte do viver.

Mauro Guilherme Pinheiro Koury buscou compreender este processo tendo em vista a questão da formação dos nossos jovens, em um momento de mudanças significativas dos padrões de comportamento, que pulveriza os valores sociais e caminha a passos largos para o individualismo crescente e uma ampliação do medo do outro, no interior das formas interativas a que estão sujeitos não apenas a juventude, mas a população em geral.

Castro, apoiando-se em dados de uma pesquisa promovida pela UNESCO, afirma que as características que determinam a identidade de uma geração de jovens no Brasil são o medo, a exposição à violência e a participação ativa em atos violentos. A vida de muitos desses jovens é ceifada no cotidiano de uma vida social, onde a violência é a regra, e ganha contorno de um processo contínuo e brutal. Perdas de vida e banalização do humano jovem acontecem hoje cotidianamente, de uma forma jamais vista em outros tempos, excetuando-se as épocas de guerra.

A cultura brasileira se assenta no processo clínico e não na prevenção, promoção e educação. Talves seja por isto que para atacar a violência o Estado passou a conceder investimentos vultuosos para enfrentar a violência, mas não adotou uma cultura de prevenção e promoção de uma cultura de paz. A cultura da paz tem ficado nas mãos da sociedade civil, que em momentos de grande desespero se unem numa ou outra passeata.

por Veriana Mosil

Somos mulheres que tratam da vida, do gostar e do acreditar que a vida é tecida ponto a ponto todos os dias. Na tessitura os fios são admirados e dão sentido para a existência humana. É tecida pelos fios do amor, solidariedade, aceitação, e pelos fios da tragédia composta por sucessões, alternâncias e alteridades. É preciso paciência, entregas e renúncias, partidas e recomeços, altos e baixos. Dialogue conosco e se comprometa a tecer uma vida com sentido. Teçam VITAM conosco!

TAGS
Assuntos Relacionados
Política e Opinião

Comente ou dê a sua opinião