set 30, 2014
323 Visualizações
0 0

As memórias de João Gomes de Araújo

Publicado por

memorias-livroNa época da colonização, durante séculos, o Brasil era o ponto de onde surgiam acontecimentos catastróficos de morte, tortura e violência contra índios e os negros. Com a escravatura, os bolsos dos donos de engenhos fartavam de dinheiro e, portanto, o lucro era garantido.

Porém, no final do século XIX, finalmente a escravidão passou a ser proibida no mundo inteiro. A partir da promulgação da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, a liberdade foi possível na vida das ex-vítimas da servidão.

Historicamente, o ano de 1888 é marcado pelo grande momento da abolição da escravatura no Brasil. No entanto, o que muitos desconhecem é que neste mesmo período, ocorreu uma celebração de grande importância. O pindense João Gomes de Araújo (1846 – 1943), estreava a ópera “Carmosina”, no teatro Dal Verme, localizado em Milão, Itália. Com platéia lotada, o imperador D. Pedro II, em companhia (é claro!) de sua família real, também prestigiaram o concerto.

Para registrar esse ilustre compositor na história brasileira, o jornalista Douglas Salgado Jacometti, que é tataraneto do maestro, escreveu um livro chamado “As memórias de João Gomes de Araújo”. Lançada no dia 24 de setembro (quarta-feira). A obra é mais de que uma biografia, ela tem informações curiosas e inéditas sobre o trabalho do músico.

A obra é um registro jornalístico, com informações curiosas e inéditas sobre o trabalho do músico. Confira a entrevista exclusiva com autor:

JC – Como surgiu a ideia de fazer uma obra sobre o João Gomes de Araújo?
DS – Surgiu na época da faculdade, em 2002, pois precisava definir o tema do meu projeto de tcc. Eu já estava seguro de que seria um livro-reportagem, pois sempre gostei muito de escrever, mas ainda não estava certo sobre o tema. Foi neste período que lembrei do nome ‘João Gomes de Araújo’, pois meu avô conhecia muito bem a história dele – que era seu avô – e vivia me falando sobre ela durante minha infância.
Quando eu comecei as pesquisas e, de fato comecei a conhecer sua história, não tive mais dúvidas que seria um livro-reportagem com uma abordagem biográfica sobre o imortal João Gomes de Araújo. Foi assim que surgiu a ideia, que foi aperfeiçoada até se transformar em um projeto cultural beneficiado pela Lei Rouanet, do MinC.

JC – Por que resolveu fazer um livro sobre ele?
DS – Resolvi fazer o livro pois pensei: como pode uma história dessa estar esquecida ou ‘enterrada’ no tempo? João Gomes de Araújo foi um personagem singular da música clássica brasileira, compunha sinfonias com características do Romantismo em uma época em que poucos se aventuravam neste estilo. Além disso, compôs mais de 60 canções e foi um dos fundadores do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde também lecionou. Muitos ainda não sabem disso, ou sequer ouviram uma obra do compositor. Em Pindamonhangaba, sua terra natal, nunca foi executada uma obra dele, com exceção do hino da cidade que ele orquestrou (não foi o autor da letra, apenas o musicou). Então, simplesmente achei um absurdo isso e, com pouco recurso, desenvolvi este trabalho. Gostaria de ressaltar aqui a falta de interesse das multinacionais instaladas em Pindamonhagaba para viabilizar o evento naquele município. Com certeza, sem o apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo esse projeto não sairia do papel e não seria possível realizá-lo nem em São José dos Campos.

JC –  Como foi feita a pesquisa? Todo esse levantamento demorou quanto tempo?
DS – Posso dizer que conciliar trabalho e este projeto não foi fácil. A obtenção dos dados que estão inclusos no livro demorou cerca de dez anos, mas poderia ter durado menos da metade do tempo se eu pudesse me dedicar somente a isso.

JC –  Você teve ajuda de alguém para elaborar o livro? Quem?
DS – Na época da faculdade, tive muita ajuda da minha orientadora, professora dra. Elisabete Kobayashi, inclusive seu nome está no expediente do meu livro na ‘coordenação editorial’. Além disso, não posso deixar de mencionar o apoio de Anna Nery de Castro, da Nery Cultural, que me supriu com um bom material atual.

JC –  Conte um pouco sobre a sua obra?
DS – Como você conseguiu essas fotos?
O livro não tem a pretensão de ser uma biografia do músico e sim um registro jornalístico com uma perspectiva atual em relação à vida e obra de João Gomes de Araújo. Trata-se de uma leitura rápida, que fornece uma boa compreensão acerca da vida do imortal, com dados e imagens atuais, além de depoimentos de músicos e estudiosos que tiveram acesso ao trabalho do compositor. As imagens foram obtidas por meio de acervo da família, pesquisas em bibliotecas diversas, incluindo a Biblioteca Nacional e a Municipal de Pinda. Também tem imagens do Projeto Memória Musical de SP, encabeçado por Anna Nery, imagens feitas por mim, e diversos recortes de jornais com matérias relacionadas ao maestro.

douglasJC –  Agora com o livro feito, o que pretende fazer com a sua obra recém-nascida?
DS – Pretendo divulgar ao máximo o nome deste ilustre e ainda pouco conhecido personagem do Vale do Paraíba. Já recebi dois convites para falar sobre o projeto, um da Academia Pindamonhangabense de Letras e outro da Univap. Além disso, o jornalista Roberto Wagner me convidou para participar ao vivo do programa ‘Show de Ideias”, que será transmitido pela rádio Stéreo Vale no dia 18 de outubro. Já aceitei todos os convites e aceitarei todos na medida do possível.
O projeto também despertou o interesse da Orquestra Sinfônica de São José dos Campos, que pretende lançar um cd com a Sinfonia Militar, a que foi executada no último dia 24. Pretendo dar todo o meu apoio na divulgação deste trabalho, se der tudo certo. A torcida está grande!

JC –  Além dele, você já chegou a fazer outros livros? Quais?
DS – Nunca havia escrito um livro, mas já havia participado de um livro de crônicas da Faap de São Paulo. A participação se deu por meio de um concurso cultural que participei enquanto fazia pós-graduação nesta instituição. Na ocasião, fui um dos vencedores e tive como prêmio meu texto publicado nesta obra cujo nome foi ‘A teoria’.

JC –  Você sempre quis fazer um livro? Por quê?
DS – Nunca tive a pretensão de ser um escritor. Posso dizer que sempre quis fazer um livro sobre o compositor e maestro João Gomes de Araújo. E, não para por aí. Já tenho novas ideias, mas prefiro não divulgar ainda, só quando realmente der certo, como aconteceu com este projeto.

 

 

Fonte: Jornalismo Colaborativo

Assuntos Relacionados
Colunistas · Entrevistas · Literatura · Reportagens
Ana Tamura

Ana Tamura é assessora de imprensa da Câmara Municipal de São José dos Campos e estudante de jornalismo na FCSAC - Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas e Comunicação, Universidade do Vale do Paraíba. Colaboradora do Jornalismo Colaborativo, escreve também para o Vale Shimbun, Vale Jornal, Vale Chef, Vale Publicar e outros portais de conteúdo.

Comente ou dê a sua opinião