ago 6, 2014
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As mídias sociais e as novas formas de relacionismo

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Em entrevista a Juliana Sayuri, em 18 de maio do ano corrente, para o Estado de S. Paulo, MICHEL MAFFESOLI, sociólogo da pós-modernidade, deixa claro que o autor-retrato pela manhã, desperta com o celular, zapeia as notícias no tablet, confere o trânsito na rádio, ziguezagueia no trabalho entre abas e abas e à noite assiste TV e às vezes para não pensar marca um encontro pelo Facebook, narra o evento no Twitter e fotografa o encontro no Instagram.

Os selfies sempre felizes nas redes sociais, segundo MAFFESOLI, dão às tribos as quais pertencem imagens reconfortantes. De acordo com MAFFESOLI, “Historicamente é preciso lembrar que os quadros, as esculturas e as imagens próprias a todas as civilizações destacaram essencialmente essas configurações de felicidade”. É o chamado “pudor antropológico, que é um elemento essencial do viver em sociedade”.

Essa situação característica da megalópole não indica que os cidadãos se tornaram mais solitários. Para MAFFESOLI, é a “solidão gregária”. O desenvolvimento tecnológico não sustenta o cidadão antissocial, “tende, ao contrário, a consolidar essa mise en relation”, ou seja, o “comércio das idéias, dos bens, dos afetos”.

A expressão “amigo”no Facebook não apresenta o mesmo sentido e significado da amizade clássica, visto que as relações não são intensas nem recíprocas. Mesmo assim, as centenas de “amigos”permitem que cada um de nós saiba onde e com quem mantemos relações sociais.

Nessa rede de amigos emerge novas formas de generosidade e de solidariedade? Ainda não se tem resposta.

O que se evidencia é que os cidadãos participam de diferentes tribos urbanas e nelas são solicitados a adotar certos comportamentos, valores, idéias e consciência de pertencimento. É a força invisível do grupo. Os “selfies”resultam da necessidade dos jovens se posicionarem em relação aos demais membros.

MAFFESOLI nega o caráter aprisionador do avanço tecnológico e narcisista do selfie. Prefere tratar a questão como sendo um “narcisismo tribal”. Não se trata de se mostrar quem se é, mas o que se “deseja ser aos olhos do outro”. “Representam uma máscara (…) de quem escolhe se posicionar nessa ou naquela rede social”.

As mídias sociais favorecem a relação e a inter-relação entre as pessoas e as tribos emergentes desse processo têm como essência o relacionismo. É a pós-modernidade nascente.

Por fim, pode se pensar que a modernidade não conseguiu gerar uma participação social efetiva que levasse o mundo a se transformar. Na pós-modernidade as pessoas se percebem distante do poder e as mídias sociais as levam a optar por se adaptarem ao mundo ao invés de mudá-lo. As mídias sociais passaram a ser a oração do homem pós-moderno.

por Veriana Mosil

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