set 6, 2014
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Tecnologia Social

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Investindo na transformação das comunidades locais

As tecnologias sociais envolvem produtos, técnicas ou metodologias inovadoras e/ou reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social.

Esse conceito remete para uma proposta inovadora de desenvolvimento, considerando a participação coletiva no processo de organização, desenvolvimento e implementação. Baseia-se na disseminação de soluções para problemas voltados a demandas de alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde, meio ambiente, dentre outras.

As tecnologias sociais atendem aos quesitos de baixo custo e impacto comprovado e permitem que o desenvolvimento se multiplique entre as populações atendidas, melhorando a sua qualidade de vida.

As Tecnologias Sociais podem aliar saber popular, organização social e conhecimento técnico-científico. Importa essencialmente que sejam efetivas e reaplicáveis, propiciando desenvolvimento social em escala.

São exemplos de Tecnologias Sociais: o soro caseiro que resulta da mistura de água, açúcar e sal e combate a desidratação e reduz a mortalidade infantil; as cisternas de placas pré-moldadas que atenuam os problemas de acesso a água de boa qualidade à população do semi-árido, o microcrédito, metodologias locais de alfabetização, fazer o sabão a partir óleo de cozinha e não da gordura de porco, transformação de sementes coletadas em adereços e botões.

Tecnologias Sociais

As Tecnologia Sociais compreendem produtos e técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com as comunidades locais e que representam efetivas soluções para as transformações sociais.

É uma proposta inovadora de desenvolvimento local, que leva à participação social no processo de organização, desenvolvimento e implementação de soluções para problemas voltados a demandas de alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde, meio ambiente, dentre outras possibilidades.

Elas podem coligar saber popular, organização social e conhecimento técnico-científico. O que vale é que sejam eficazes, eficientes, efetivas e reaplicáveis, propiciando desenvolvimento social em escala.

O livro Tecnologia social e políticas públicas, organizado por ADRIANO BORGES COSTA (São Paulo: Instituto Pólis; Brasília: Fundação Banco do Brasil, 2013), apresenta a história dessa modalidade de tecnologia e a experiência adquirida pela Fundação Banco do Brasil em prol do desenvolvimento local sustentável.

A leitura desse livro é uma maneira eficiente de levar a comunidade brasileira a conhecer não apenas a história da tecnologia social, mas e principalmente identificar as modernas alternativas, simples e de baixo custo que vêm solucionando problemas estruturais das camadas mais excluídas da sociedade brasileira.

As experiências, vividas pela Fundação Banco do Brasil, narradas nesse livro permitem compreender como as soluções efetivas foram alcançadas para áreas como a educação, meio ambiente, energia, alimentação, habitação, água, trabalho e renda, saúde e assim por diante.

O banco de tecnologia social apresenta as seguintes soluções:
1. Tecnologia para móveis para pessoas com deficiência, a partir do uso de PVC.
2. Metodologia e técnica para alavancar o empreendedorismo em grupos produtivos.
3. Mapas táteis urbanos para facilitar a mobilidade de pessoas com deficiência visual.
4. Mãos especiais: adaptação de tecnologias sociais na elaboração de currículos específicos para a profissionalização de pessoas com deficiência visual, física e intelectual, promovendo dessa forma a acessibilidade.
5. A célula ao alcance da mão: criação de réplica do corpo humano em dimensões macro e microscópicas para facilitar o estudo da estrutura e organização do organismo por pessoas com deficiência visual.
6. A vida é feminina: ações integradas nas áreas de educação, saúde e profissionalização básica de mulheres.
7. Adolescentes Protagonistas: oficinas em escolas públicas para formação de adolescentes na relação entre direitos humanos, cidadania e orçamento público.

Estes são alguns exemplos de sucesso. Que tal levar para a sua comunidade? E, a partir dessas experiências, levar a comunidade a criar uma nova tecnologia social que facilite a solução de algum problema crucial. Mãos a Obra! Os educadores sociais do blog Tecendo Vitam podem colaborar. Mandem um email:

Tecnologia Sociais, participação e sustentabilidade

As Tecnologias Sociais são alicerçadas em duas premissas essenciais para sua disseminação: participação popular e sustentabilidade das soluções apresentadas.

Participação Popular: essa premissa só é possível de ser compreendida quando vem junto do conceito de cidadania. Então, o que se deve entender por cidadania? “O conceito de cidadania não resume a posse de determinado conjunto de direitos que podem variar de sociedade para sociedade, de acordo com suas diferenças concretas. Implica que todos tenham iguais condições de acesso ao mínimo que a sociedade, no estado de desenvolvimento que estiver, aceita como tolerável” [Marschall, 1976].

Não se trata de uma cidadania induzida, onde os cidadãos são meros legitimadores do processo de decisão, que se limita à voz e ao voto e a inclusão se dá por meio de canais formais. Trata-se de uma cidadania que garanta a participação no processo decisório, a autopromoção, as formas de gestão, a organização e cultivo de canais participativos, a recuperação diária da democracia.

Na verdade, a cidadania é algo que se conquista. A certeza de que todos têm direito à vida no sentido mais pleno, gera em nós uma força capaz de nos fazer indignar contra a injustiça e a opressão. É essa força que nos ajuda a construir a realidade que se deseja.

Posicionamento das pessoas em relação à cidadania:

A pessoa inocente desconhece seus direitos. A acomodada espera passivamente que seus direitos sejam reconhecidos pelos outros. A vítima só sabe se queixar, mas não age na defesa dos seus direitos. A chata vive cobrando seus direitos, mas de forma errada. A cidadã consciente está comprometida com os direitos da cidadania e sabe cobrar de forma correta e responsável o respeito a esses direitos.

Não havendo democracia e cidadania, não há participação.

Existem outros desafios no processo de participação. Segundo Pedro Demo “…um horizonte infinito de expectativas, consubstanciado na esperança de implantar o Estado de Direito, nutrido da dignidade social de todos. Vivemos uma sociedade intestinamente injusta, que cultiva com irônico sangue-frio formas de pobreza extrema, que por vezes é difícil crer que ainda existam. É uma senzala, na imagem clássica de uma Casa Grande no centro…..cercada de uma ralé incontável, que vegeta à sua sombra. Processos participativos colocam o desafio de tentar… caminhos alternativos, por mais que se concretizem no pequeno, no local… dentro do capitalismo, agressivamente desigual ”.

O grande desafio da participação é, portanto, além de incorporar novos direitos aos já existentes, integrar cada vez um número maior de indivíduos ao gozo dos direitos reconhecidos.

Transformar a pessoa humana em cidadão tem sido uma tarefa dura, para as organizações sociais e governos democráticos e populares. Acostumados em se verem como cidadãos pelo voto, se tornam indiferentes com reduzido senso de realidade e de responsabilidade social. Ainda falta muito para que as políticas sociais e públicas passem de fato pelas lideranças políticas, sem cooptação.

Quando se pensa em desenvolver junto às comunidades locais, produtos e técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com as comunidades locais e que representam efetivas soluções para as transformações sociais, ou sejam tecnologias sociais, a maior dificuldade é levar a pessoa a tomar para si a responsabilidade por si mesma e pelo outro.

As entidades sociais e as organizações sociais precisam, primeiro levar o indivíduo a desenvolver a consciência de seus direitos e deveres, para depois se dispor a participar ativamente de todas as questões da sociedade. Daí desvendar que as tecnologias sociais podem resolver os problemas que se encontram em sua comunidade local.

Como postado anteriormente, um dos exemplos de tecnologia social se refere aos adolescentes protagonistas. O uso de oficinas para a formação de pessoas na relação aos direitos humanos, cidadania e orçamento público. O blog Tecendo Vitam dispõe desse recurso para atuar junto às entidades e organizações sociais interessadas em levar seus usuários a desabrocharem em cidadãos, em sujeitos da história.

Sabe-se que as tecnologias devem emergir da comunidade local, mas nada impede levar uma tecnologia social de sucesso para daí colher outras nascentes in loco.

Para Lyra (2000, p.17) só há participação popular efetiva quando existe democracia participativa, quando o cidadão pode “[…] apresentar e debater propostas, deliberar sobre elas e, sobretudo, mudar o curso de ação estabelecida pelas forças constituídas e formular cursos de ação alternativos […]”, ou seja, sempre que houver formas de o cidadão participar, decidindo, opinando, diretamente, ou de forma indireta, por meio de entidades que integra, a respeito de uma gama diversificada de instituições, no âmbito da sociedade (família, empresas, mídias, clubes, escolas etc.) ou na esfera pública (conselhos, orçamento participativo, plebiscito, referendo etc.).

Nesta perspectiva, a participação cidadã diferencia-se da participação social e comunitária, na medida em que não busca realizar funções próprias do Estado, como a prestação de serviços. Não se constitui, outrossim, na mera participação em grupos ou associações para defesa de interesses específicos, ou simples expressão de identidades.
Esta dimensão da participação popular, própria da sociedade civil, é a que garante o exercício da democracia para além dos espaços formais de poder e da representatividade eleitoral.

Esta perspectiva leva em conta os interesses do conjunto da população, em especial dos excluídos e dos pobres, e tenta refletir uma visão abrangente e integrada do território, da sociedade e das questões do desenvolvimento e que se volta estrategicamente para o médio e o longo prazo.

Como afirmado anteriormente, Tecnologias Sociais são alicerçadas em duas premissas essenciais para sua disseminação: participação popular e sustentabilidade das soluções apresentadas.

Entende-se por Sustentabilidade, a característica ou condição de um processo ou sistema que permite sua permanência, por um determinado prazo. Esse conceito nesse momento histórico torna-se um principio, segundo o qual o uso de recursos naturais para a satisfação de necessidades não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.

Pode ser entendida, também, como a capacidade do seres humanos interagirem com o mundo ao seu redor, preservando o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras.

Este processo não se realizará se não forem consideradas as seguintes questões:
1. as sociais, uma vez que é o respeito ao ser humano que o leva a respeitar a natureza;
2. as energéticas, a economia não se desenvolve e as condições de vida das populações se deterioram; e
3. as ambientais, no meio ambiente degradado as populações têm reduzidas suas expectativas e qualidade de vida.

O princípio da sustentabilidade aplica-se a um único empreendimento, indo de uma pequena comunidade até o planeta inteiro. Para que um empreendimento humano seja considerado sustentável, é preciso que seja:
“Sustentável”, ou seja, apto ou passível de sustentação, já “sustentado” é aquilo que já tem garantida a sustentação. É defendido que “sustentado” já carrega em si um prazo de validade, no sentido de que não se imagina o que quer que seja, no domínio do universo físico, que apresente sustentação perpétua, de modo que, no rigor, “sustentado” deve ser acompanhado sempre do prazo ao qual se refere, sob risco de imprecisão ou falsidade, acidental ou intencional. Tal rigor é especialmente importante nos casos das políticas ambientais ou sociais, sujeitos a vieses de interesses divergentes.

Empresas privadas e públicas, organizações sociais e entidades sociais são chamadas a serem sustentáveis.

Como se trata, nesse momento de organizações não governamentais, entidades sociais e comunidades locais, é de se esperar que seus diretores definam uma gestão sustentável. Já não se pode conceber que a gestão não seja a capacidade para dirigir o curso dessas realidades por meio de processos que valorizem e recuperem todas as formas de capital, humano, natural e financeiro.

Assim, a sustentabilidade comunitária é a aplicação do conceito de sustentabilidade no nível comunitário. Diz respeito aos conhecimentos, técnicas e recursos que uma comunidade utiliza para manter sua existência tanto no presente quanto no futuro. Este é um conceito chave para as ecovilas ou comunidades intencionais. Diversas estratégias podem ser usadas pelas comunidades para manter ou ampliar seu grau de sustentabilidade, o qual pode ser avaliado pela Avaliação de Sustentabilidade Comunitária (ASC) .

A participação popular e a sustentabilidade são as premissas da tecnologia social. Quanto melhor for a participação da comunidade no encontro de soluções para os problemas sociais, quanto melhor for a inovação tecnológica emergente da própria comunidade, melhor serão os recursos, técnicas e conhecimentos que transformem e mantenham a comunidade. Isso é a sustentabilidade comunitária.

Referências
· ALLEN, P. (Editor). Food for the Future: Conditions and Contradictions of Sustainability. Paperback, 1993.
· HARGROVES, K. & SMITH, M. (Editors). The Natural Advantage of Nations: Business Opportunities, Innovation and Governance in the 21st Century. Hardback: Earthscan/James&James, 2005.
· YOUNG, Lincoln & HAMSHIRE, Jonathon. Promoting Practical Sustainability. Canberra (Australia): Australian Agency for International Development (AusAID) (2000 and reprints)

Outras Fontes: http://jus.com.br//artigos

por Veriana Mosil

Somos mulheres que tratam da vida, do gostar e do acreditar que a vida é tecida ponto a ponto todos os dias. Na tessitura os fios são admirados e dão sentido para a existência humana. É tecida pelos fios do amor, solidariedade, aceitação, e pelos fios da tragédia composta por sucessões, alternâncias e alteridades. É preciso paciência, entregas e renúncias, partidas e recomeços, altos e baixos. Dialogue conosco e se comprometa a tecer uma vida com sentido. Teçam VITAM conosco!

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